terça-feira, 18 de março de 2014

PS_Texto produzido para Blog

Cursista: Marisa de Souza Teixeira Rodrigues
Turma: T26a

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. Muitos desafios precisam ser enfrentados e as propostas educacionais revistas, conduzindo a uma tomada de posição que resulte em novas práticas de ensino e aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com surdez, nas escolas públicas e particulares.
As pessoas com surdez não podem ser reduzidas ao chamado mundo surdo, com uma identidade e uma cultura surda. É no descentramento identitário que podemos conceber cada pessoa com surdez como um ser biopsicosocial, cognitivo, cultural não somente na constituição de sua subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção de conhecimentos, capaz de adquirirem e desenvolverem não somente os processos visuais –gestuais, mas também de leitura e escrita, e de fala se desejarem.
É importante que se ofereça à criança surda um ambiente estimulante, que possibilite sua ação não só física, mas principalmente, sua ação mental, que se reconheça o sujeito com surdez como participante ativo do processo educativo, que se proporcione situações constantes e sistemáticas de troca simbólica com o meio e, por fim, que se entenda a linguagem como instrumento efetivo de comunicação e expressão do pensamento, capaz de desenvolver  as estruturas cognitivas mais complexas.
O Atendimento Educacional Especializado para alunos com surdez, na perspectiva inclusiva, estabelece como ponto de partida a compreensão do reconhecimento do potencial e das capacidades dessas pessoas, vislumbrando o seu pleno desenvolvimento e  aprendizagem .
O AEE deve ser visto como uma construção e reconstrução de experiências e vivencias conceituais, em que a organização do conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear, hierarquizada e fragmentada do conhecimento. O conhecimento precisa ser compreendido como uma teia de relações, na qual as informações se processam como instrumento de interlocução e de diálogo.
As práticas de sala de aula comum e do AEE devem ser articuladas por metodologias de ensino que estimulem vivencias e que levem o aluno a aprender a aprender, propiciando condições essenciais da aprendizagem dos alunos com surdez na abordagem bilíngüe.
O AEE em seus três momentos visa oferecer a esses alunos a oportunidade de demonstrarem se beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem.
AEE em Libras
O Atendimento Educacional Especializado em Libras deve ocorrer em horário contrário ao do ensino comum. O professor do AEE deverá trabalhar de forma complementar os conteúdos articulados com o professor da sala de aula. Para o trabalho do professor, na sala do AEE necessita ter materiais e recursos visuais: biblioteca, mural de avisos e notícias, gravuras e fotos sobre os assuntos a serem trabalhados, roteiro de planejamento, fichas de atividades e outros
AEE de Libras
Inicia-se o AEE de Libras com a investigação diagnóstica do aluno. Este atendimento acontece no contra turno do ensino comum, realizado por professor e/ou instrutor de libras, preferencialmente surdo, conforme o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra.
            O aprendizado de Libras deverá ser oferecido durante toda educação básica, inclusive na educação infantil, para que sua apropriação se dê de maneira mais natural possível.
A Libras é uma língua que necessita constantemente de ampliação do seu vocabulário, para isso faz-se necessário pesquisas na elaboração e sistematização de termos técnicos e científicos.
A sala do AEE deve conter vários recursos pedagógicos visuais: DVD, cartazes, livros de diversos gêneros textuais, dicionários, materiais concretos, etc.

AEE para o ensino de Língua Portuguesa
O AEE para o ensino da Língua Portuguesa deve acontecer na Sala de Recursos Multifuncionais no contra turno do ensino comum desenvolvido por um professor, preferencialmente, com formação em Língua Portuguesa, planejado em conjunto com os professores de Libras e o da sala comum.
            O objetivo do AEE do ensino da Língua Portuguesa, para a pessoa com surdez, é desenvolver a competência gramatical ou linguística e textual para que sejam capazes de gerar sequências linguísticas bem formadas.
            A avaliação do desenvolvimento da Língua Portuguesa deve ocorrer constantemente para assegurar os avanços do aluno com surdez e que se possa redefinir o planejamento caso necessário.

Referência:
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado: pessoa com Surdez. SEESP / SEED / MEC Brasília/DF – 2007.
DAMÁZIO, M.F.M. Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com surdez. São Paulo: MEC/SEESP, 2007,52 P.
DAMÁZIO, M. F .M. Concepções Subjacentes: Educação das Pessoas com Surdez, 2005.